Desafios no mercado de trabalho para os 60+

por | 8 de outubro de 2021 | Carreira Sênior

Diego Hatschbach Ferreira

Administração; Ciências Contábeis; Planejamento Estratégico; Empreendedorismo Social; Responsabilidade Social Corporativa. Especialista em Projetos Sociais e Responsabilidade Social.

De acordo com IBGE, os idosos são presença significativa no mercado de trabalho, saltando de 5,9% em 2012 para 7,2% em 2018. Porém, mesmo com a estatística levemente favorável e um amparo legal moderado relacionado às pessoas idosas, ainda é possível encontrar indivíduos desta população sendo excluídos do contexto social e produtivo.  

Abaixo um exemplo prático da visão de uma pessoa idosa ativa e que busca sua recolocação no mercado de trabalho:

Depois da saída de uma multinacional na região de Curitiba, José* quis levar adiante a tentativa de recolocação no mercado de trabalho, buscando uma oportunidade compatível aos seus conhecimentos e de suas experiências, contudo, essa busca não tem tido o sucesso esperado.

Após algumas entrevistas frustradas, José* concluiu  que realmente a inclusão de pessoas 60+ é muito complicada no cenário atual, embora algumas empresas se declarem abertamente a favor  dessa inclusão ao adotarem políticas de contratação 50+ ou 60+. De fato, a expectativa não condiz com a realidade, uma vez que as organizações buscam o que é melhor para suas operações, visando o lucro. Para José*, o mercado está cheio de jovens com vontade de vencer, progredir e logo atingir posição de destaque, mesmo que por um salário menor. As empresas exigem cada vez mais rapidez e vivacidade na maneira de agir, pensar e ser, e assim, gestores optam por pessoas mais jovens.

Segundo José*, tanto na multinacional quanto em outros empregos, não sentiu o peso da idade e nem sentiu que houvesse algum tipo de discriminação com relação a isso, pelo contrário, era reconhecido, conseguia impor respeito e sabedoria aos mais jovens na sua função de liderança. Acredita ainda que, seu desligamento da empresa não tenha sido devido a idade, pois nos últimos dois empregos, ambos foram conquistados tendo mais de 50 anos, portanto, não sentiu a idade como obstáculo para se conseguir um emprego. José* seguirá firme na luta pela sua recolocação, acreditando que logo encontrará um local que o acolha.

 Um dos pontos críticos para essa restrição na contratação da população grisalha  é que gestores e recrutadores confundem o tratamento que se deve dar à inserção do idoso no mercado de trabalho. A expectativa  é que essas pessoas não precisam transitar no mercado de trabalho como uma pessoa normal, e sim, exercer “atividades de idoso”, diferente  da atuação exercida durante anos, focando apenas em ações beneficentes, como auxílio a outros mais idosos, somente com o intuito de ter uma atividade e não ficar parado. E esse é um paradigma  a ser quebrado, para que se consiga a ampliação de oportunidades para a pessoa idosa.

O trabalho em si é fonte de renda, de realização pessoal e essencial para a manutenção da qualidade de vida. Para que os idosos consigam competir minimamente com os trabalhadores jovens, são necessárias políticas públicas e organizacionais mais eficazes para garantir a sua permanência e integração no mercado de trabalho, uma vez que a mão de obra global está envelhecendo rapidamente, e consequentemente, as ações em prol da empregabilidade na terceira idade precisam ocorrer na mesma velocidade.

 Contudo, há organizações que levam a sério o papel do recrutamento na diversidade, com implementações de programas de contratação de pessoas idosas com base em ações responsáveis, proporcionando ao idoso condições adequadas de se manter ativo com a proteção de sua saúde e qualidade de vida.

*José é um nome ficticio utilizado para preservar a identidade do entrevistado.